sábado, 2 de outubro de 2010

A ciência da paixão?



Testes podem conectar a paixão às suas raízes evolutivas primitivas, mas não roubam a sua mágica

O que a ciência tem a dizer sobre a misteriosa emoção que faz com que pessoas razoáveis façam coisas completamente loucas, tanto boas quanto más?
Na última década, vários estudos buscaram desvendar o que ocorre no cérebro quando se está apaixonado. Um dos mais conhecidos, encabeçado pela antropóloga Helen Fisher, da Universidade Rutgers (EUA), examinou mais de 3 mil imagens das atividades neuronais de 18 jovens apaixonados.

As imagens mapeiam o fluxo de sangue no cérebro: quanto maior a atividade neuronal, maior a necessidade de oxigênio e, portanto, mais sangue. Juntando essa informação ao conhecimento acumulado dos compostos químicos das ligações neuronais nas diversas partes do cérebro, cientistas podem isolar aqueles que participam em maior concentração quando certas emoções ocorrem. Incluindo, claro, a paixão.

Como Fisher escreveu na revista "Time", "muitas partes do cérebro são ativadas quando pessoas apaixonadas pensam em seus amores...

Nossa descoberta mais importante foi o papel do núcleo caudado, uma região em forma de C que fica perto do centro do cérebro. É muito primitiva, parte do que chamamos de cérebro reptiliano, pois evoluiu ainda antes dos mamíferos proliferarem há 65 milhões de anos."

No calor da paixão, o núcleo caudado é inundado por dopamina vinda da área tegmentar ventral , a grande fábrica de dopamina no cérebro. Ela induz sensação de euforia e de hiperatividade, marcas registradas da paixão. Atividades semelhantes também foram encontradas quando pessoas comem chocolate.

Portanto, como já suspeitávamos, a paixão age como uma droga.

As descobertas indicam que a atração romântica é um imperativo biológico antigo, como a fome e o sexo. Mesmo assim, sua manifestação em humanos é particularmente complexa, com alto nível de sofisticação e diversidade. Hipopótamos não escrevem poemas de amor.

Seu papel parece ser fixar o foco em apenas um companheiro. Isso pode explicar, por exemplo, porque mulheres são tradicionalmente mais "românticas", no sentido de que biologicamente devem escolher seu parceiro com mais cuidado, pois só podem se reproduzir algumas vezes em suas vidas. Já os homens podem ser menos seletivos.

Segundo este prisma, nossos cérebros sofisticados criam um sofisticado coquetel de emoções para garantir a sobrevivência da espécie.

Mas ao menos hoje, prefiro não entrar nesse terreno complexo da psicologia evolutiva.
Parece também que a secreção de serotonina dos que estão loucamente apaixonados é equivalente àquela das pessoas com TOC (transtorno obsessivo-compulsivo).

Mais uma vez, como suspeitávamos, a paixão é uma obsessão.

Claro, nada disso explica por que, quando chegamos a uma festa lotada, fixamos logo a atenção "naquela" pessoa. Os experimentos podem conectar a paixão às suas raízes evolutivas primitivas, mas não roubam a sua mágica. Não sabemos por que, quando nossos olhos caem "naquela" pessoa, as glândulas cerebrais começam a bombear como loucas. O amor torna alguém em alguém especial. E é este alguém que faz toda a diferença, seja por muito ou por pouco tempo.

6 comentários:

  1. É meu caro Marcelo, tentar explicar a paixão como um fato normal da vida, é como tentar voar sem ter asas, não sei no passado do homem ou no futuro como vai ser as relações afetivas, mais no presente é incompreensível, para onde vai nos levar a ciências da paixão? examinar o cérebro dos apaixonados, e vê que tem um aumento de atividade, eu acho isso tão normal, a paixão é estado mental e corporal, comparar isso com um efeito de uma droga, não acho certo, mais é um estado de euforia mesmo, não quero que a ciência explique o por que das paixões, e sim evitar que os apaixonados cometa loucuras em nome da paixão.

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  2. Desculpa, mas acho que têm dois comentaristas deste blog que merecem um comentário. O problema é que eles têm insistido em emitir opiniões sem pé nem cabeça, defendendo teses malucas em que acreditam.
    Um deles, na verdade, precisaria estudar um pouco mais a nossa língua portuguesa, pois produz textos em que constantemente confunde conjunção adversativa (mas) com advérbio de intensidade (mais). Decifrar suas mensagens exige do leitor, contorcionismos cerebrais.
    Quanto ao segundo, creio que existem muitos outros blogs e comunidades do Orkut que adorariam receber seus comentários, já que tratam de temas místicos e religiosos, coisas que, pelo jeito, ele adora. No entanto, vejo que suas opiniões pessoais aqui neste espaço, sem nenhum teor científico, não têm contribuído em nada para uma complementaridade e enriquecimento dos artigos de Gleiser, gentilmente aqui reproduzidos pelo autor do blog, que NÂO é Marcelo Gleiser.
    Tomarei o cuidado de “pulá-los” a partir de agora, senão eu vou acabar pirando.

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  3. Em outra questão, obrigado Jairo Grossi, por falar dos meus erros de Português, se os meus textos não enriquece em nada, então estou conseguindo o que quero, que alguém comente, e não precisa pular 'MAIS', não colocarei 'MAIS' comentário, e sobre acabar pirando, não é normal para quem vive no mundo da lua? sem ofensas.

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  4. Não se deve esquecer do componente cultural.
    Paixão e amor romântico são criações burguesas recentes (vide história e literatura para melhor compreensão) e não há metodologia científica que "meça" esse tipo de impacto.

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  5. "É preciso amar as pessoas
    Como se não houvesse amanhã
    Por que se você parar
    Pra pensar
    Na verdade não há..."

    O resto a ciência explica!

    Vida Longa e Próspera

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