O material sem o espiritual é cego, e o espiritual sem o material é fantasia. Nossa humanidade está na interseção |
Devo dizer, de saída, que espiritual não implica algo sobrenatural e intangível. Uso a palavra para representar algo natural, mesmo intangível, pelo menos por enquanto.
Pois, se olharmos para o cérebro como o único local da mente, sabemos que é lá, na dança eletro-hormonal dos incontáveis neurônios, que é gerado o senso do "eu".
Infelizmente, vivemos meio perdidos na polarização artificial entre a matéria e o espírito e, com frequência, acabamos optando por um dos dois extremos, criando grandes crises sociais que podem terminar em atrocidades.
Vivemos numa época onde o materialismo acentuado -do querer antes de tudo, do eu antes do outro, do agora antes do legado-, está por causar consequências sérias.
Lembro-me das sábias linhas do filósofo Robert Pirsig, no clássico "Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas": "Nossa racionalidade não está movendo a sociedade para um mundo melhor. Ao contrário, ela a está distanciando disso".
Ele continua: "Na Renascença, quando a necessidade de comida, de roupas e abrigo eram dominantes, as coisas funcionavam bem.
Mas agora, que massas de pessoas não têm mais essas necessidades, essas estruturas antigas de funcionamento não são adequadas. Nosso modo de comportamento passa a ser visto como de fato é: emocionalmente oco, esteticamente sem sentido e espiritualmente vazio".
O ponto é claro: atingimos uma espécie de saturação material. Para chegar a isso, sacrificamos o componente espiritual. O material é reptiliano: "Eu quero, eu pego. Se não consigo, eu mato (metaforicamente ou de fato). O que quero é mais importante do que o que você quer".
Claro, progredimos muito, dando conforto a milhões de pessoas, mas, no frenesi do sucesso, deixamos de lado o que nos torna humanos. Não só nossas necessidades, mas nossa generosidade, nossa capacidade de dividir e construir juntos.
Quando nossa sobrevivência está garantida, recaímos em nosso modo reptiliano de agir -autocentrado- e esquecemos da comunidade.
A diferença entre nossa realidade e a de Pirsig, que escreveu essas linhas acima em 1974, é que um novo tipo de conscientização está surgindo, em que o senso de comunidade está migrando do local ao global.
Isso me deixa otimista.
Em todo o planeta, um número cada vez maior de pessoas entendeu já que os excessos materialistas da nossa geração precisam terminar. Não é apenas porque o materialismo desenfreado é superficial. É porque é letal, tanto para nós quanto para a vida à nossa volta.
Olhamos para nosso planeta de modo que não olhávamos 20 anos atrás. O sucesso do filme "Avatar" não teria sido o mesmo em 1990.
O momento está chegando para um novo tipo de espiritualidade, que nos levará a uma existência mais equilibrada, onde o material e o espiritual mantêm um balanço dinâmico. O material sem o espiritual é cego, e o espiritual sem o material é fantasia. Nossa humanidade reside na interseção dos dois.
ESPIRITUALIDADE é concernente ao espírito, e este é muito ambíguo, pois tem o caráter de expressão da coisa em si. Cada coisa tem um espírito. Espírito Santo, espírito de luz, das trevas, de porco, espírito político, democrático, religioso, esportivo,até as partículas subatômicas tem cada uma, o seu espírito. O espírito tecnológico fez crescer o homem material e redusiu o homem expressivo. Felismente, os meios de comunicação está proporcionando expressarmos, e com espírito de boa vontade, criticar os erros políticos sociais. Creio que o espírito intelectual do prfessor Gleiser vai admitir que o espaço absoluto em eterno repouso no reino incomodidade da treva fria contem a energia contínua e passiva, a sensibilidade granulada e ativa, e a lei que governa a busca pela acomodação. Esta tese está de acordo com o sublime equilíbrio entre matéria e espírito.
ResponderExcluirObrigada, Fábio, por me pôr em contato com essa brilhante frase de Carl Sagan! Como é libertador ver verbalizado - e concisamente - o que está "espalhado" pela nossa mente...
ResponderExcluirAbraços,
Fátima Ricci
Fábio, obrigada por me pôr em contato com essa declaração de Carl Sagan sobre evidência de ausência! Como é libertador ver verbalizado com concisão o que está "espalhado" na mente...
ResponderExcluirObrigado Fábio Luís por citar o meu nome, támbem gosto de Carl Sagan uma mente brilhante de nosso tempo, se você gosta de pensamento vai um do próprio Carl:
ResponderExcluir"Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar."
Mas não precisa se ofender com palavras, um abraço.
Meu caro Fábio,
ResponderExcluirSeu texto é bom, você escreve bem e parabéns por isso, mais eu quis dizer que espiritual no sentido fantasia (e se é uma crença eu não sei) da especie humana é bem vinda, no sentido de eterno vai alem do meu entendimento humano, e não sou um materialista, apenas não consigo entender essas metáforas que explica o mundo.
Até mais.
ps. por que seu perfil é desativado? coloque suas ideias na rede.
Prezados, a respeito desta discussão, sugiro ouvirmos Voltaire em seu Dicionário Filosófico, nos verbetes Espírito e Matéria. Ele sugere ( a despeito de não ser um físico), que sobre a menor da menor da menor parte da matéria, é impossível que não seja permeável. E diz: "e em sendo permeável, é preciso que alguma coisa passe continuamente por seus poros".
ResponderExcluirCaro Fábio Luis, gostei muito do seu comentário acima. Acho que foi esclarecedor. Sua definição de infinito e eterno foi perfeita.Acompanho os textos do Prof. Marcelo e este foi um dos melhores, na minha opinião.
ResponderExcluir" Infinito não significa espaço sem fim e sim ausência de espaço, assim como eterno não significa tempo sem fim mas ausência de tempo".
RECONHECIMENTO
ResponderExcluirCaro Oscar de Castro!
Aceite meu aperto de mão como um cavalheiro que reconhece a sua MATURIDADE MENTAL.
Caro leojillas,
ResponderExcluirRecebo seu aperto de mão de bom grado, e parabéns pelo o seu texto, não precisamos doestar ninguém, nem mesmo com palavras.
Abs.