"É verdade que tenho certo xodó pelos seres humanos, encontro neles uma magia que vai além do sobreviver" |
Gostaria de começar agradecendo aos membros da raça humana que, usando sua criatividade e diligência, têm aprendido tanto sobre minhas propriedades nos últimos milênios. Neste discurso, para manter a clareza, usarei a noção humana de tempo, a qual, apesar de sua inocência, é bem prática.
Continuo em expansão, como é o caso já há 13,7 bilhões de anos. Confesso que, durante a maior parte desse tempo, me senti bem sozinho.
O silêncio era profundo, nenhuma mente perscrutando os mistérios que criei para me distrair durante a passagem das eras.
Na infância, meu volume era repleto de partículas e de radiação que, devido ao enorme calor e à grande pressão, interagiam furiosamente sem criar qualquer estrutura mais complexa.
Apenas após 400 mil anos surgiram os primeiros átomos. Mesmo assim, só os mais simples estavam presentes- os que os humanos chamam de "hidrogênio" e "hélio".
É verdade que tenho certo xodó pelos humanos. Existem muitas formas de vida espalhadas pelo meu domínio. Embora algumas sejam bem curiosas, a maioria não faz nada mais do que sobreviver. Já nos humanos, encontro aquela mágica que faz toda a diferença, uma apreciação por coisas que vão além do mero sobreviver. Inventaram conceitos como dignidade, respeito e amor, que considero muito criativos.
Talvez sejam eles a razão pela qual outras formas de vida inteligente se autodestroem após atingir uma certa sofisticação tecnológica, enquanto os humanos permanecem vivos.
Esses primeiros átomos de hidrogênio, devido à ação da gravidade, condensaram-se em esferas gigantes, as estrelas. No seu centro, temperaturas de 15 milhões de graus Celsius levam o hidrogênio a virar hélio, o segundo elemento.
É essa transmutação que mudou a minha história. Nada é mais importante do que ela! Dela, estrelas em ignição produzem a energia e a luz que aquecem seus planetas; dela, a vida extrai energia; dela, quando as estrelas se aproximam do fim de suas vidas, outros elementos químicos são formados e distribuídos pelo espaço, tornando a vida possível por todo o meu domínio.
Para o meu deleite, esses humanos entenderam tudo isso em apenas 400 anos. Mesmo assim, adorei ver a cara de alguns de seus cientistas quando descobriram, recentemente, que minha expansão está em aceleração. Acho que estão finalmente entendendo que é melhor manterem suas cabeças abertas e olhar para a Natureza com humildade. Quanto mais estudarem os meus mistérios, mais surpresas encontrarão. Espero que os outros brutos que existem em meu domínio, que passam sua existência lutando e se matando por razões patéticas, aprendam essa lição e comecem a se dedicar à busca pelo conhecimento.
Sei que fui parcial quando deixei a Terra se formar 4,6 bilhões de anos atrás. É mesmo um mundo especial. Estranho que os humanos estejam demorando tanto para entender isso. Especialmente agora, que podem estudar outros mundos. Espero que acordem logo. Nesse meio tempo, continuarei a criar e destruir mundos. Assim, me divirto e inspiro os humanos a aprenderem mais sobre mim. Afinal, preciso ser franco.
Até mesmo eu sou uma invenção das suas mentes.
A última frase transforma o texto todo. Genial.
ResponderExcluirCONCORDÂNCIA. Êxodo Bíblico e Êxodo Cosmológico.
ResponderExcluirMoisés e seu povo no deserto do Sinai fugindo do império egípcio. Hoje estamos fugindo de quatro impérios corruptos: política, comércio, religião e justiça. Na época, o povo era orientado pelo Deus de Moisés. Hoje, somos orientados pela cosmologia. Na época, o povo tinha esperança de encontrar novas terras e festejar a páscoa. Hoje, já festejamos a ação de graças em homenagem aos índios e temos esperança de encontrar novos planetas na imensidão do espaço. "Não existe um Criador; nenhuma mão divina guia a transição do Ser ao Devir," pronunciado (1) Criação pg. 21 a 27 de Criação Imperfeita. Está na hora de compreendermos a intuição de Gleiser no livro A Dança do Universo: " O Ser precede o Devir." - Estou convicto de que este Ser é a sensibilidade granulada e ativa, movendo a energia contínua e passiva, no reino incomodidade da treva fria, regida pela lei buscar acomodação no interior do espaço plano absoluto. A lei só faculta duas forças: puxar e empuxar. Dois movimentos: ir e vir com três modalidades: pulsação esférica, retilíneo e curvilíneo. O ciclo vaivém determina a unidade do tempo no espaço. Tempo absoluto e eternidade é a mesma coisa.
O tetragrama D.E.U.S. simbolizado pelo círculo com um ponto no centro é incondicionalmente apodítico. O círculo em si é a lei Dharma hinduísta. O interior é a Energia contínua e passiva. O exterior é a Ubiqüidade espacial. E o centro é a sensibilidade granulada e ativa movendo-se no sistema pulsação na ordem: impressão, expressão, circunspecção e volição. A imagem do Ser sem começo e sem fim é a de uma cinesfera de luz, vida e amor. Duas cinesferas se relacionam para formar uma linha de reciprocidade mútua. Três se relacionam para formar uma superfície triangular rotativa e quatro se relacionam para formar um sólido tetraédrico. A pedra angular fundamental na estrutura do circuito da mente criando a matéria para a evolução da vida. Quem não encontrar o eu que pensa no núcleo da célula, não pode conhecer a relação sincronizada dessas quatro cinesferas de luz, vida e amor no circuito tetraédrico. Então, só resta acreditar no Êxodo Bíblico ou cosmológico. Criação Imperfeita é uma necessidade precípua, pois se fosse perfeita não seria necessário a evolução. Vejam em que patamar está nossa evolução em comparação com o super dotado Maximiliano Arellano, o mexicano que dá aulas de Ciência médica apenas com seis anos de idade! "Talvez não sejamos a medida de todas as coisas, como propôs o grego Protágoras em tempos pré-socráticos, mas somos as coisas que podem medir." Medir nossa capacidade intelectual para conhecer e compreender o que somos, nós e o Universo. Façam suas críticas. Se estiverem convictos de que o Ser que precede o Devir não é o exposto aqui, apresentem suas versões! Assim, mostraremos que estamos de mãos dadas na busca de uma resposta para "A Pergunta" que o professor Gleiser indaga nos três grandes volumes de sua obra prima. Mas, como Laplace, não mencionou uma só vez o substantivo Sensibilidade fundamental na manifestação da vida!!!
A crônica é bem mais sobre os humanos do que sobre os ETs.
ResponderExcluirA maioria dos humanos "não faz nada mais do que sobreviver". Os poucos com muita grana desenvolvem trabalhos cujos resultados "autodestroem o mundo". E o resto de nós, classe média, "passam sua existência lutando e se matando por razões patéticas".
Mas alguns poucos, como você, nos incentivam "a se dedicar à busca pelo conhecimento".
Obrigado e boas festas.
Gostoso de ler.
ResponderExcluirE os comentários são hilários.
Um vedadeiro "samba do criolo doido"!
(politicamente correto descrito como movimento cultural do afro descendente mentalmente prejudicado).
interessante é que se você trocar "Universo" por "Deus" o texto continuará a fazer o mesmo sentido. Sensacional.
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